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O arquiteto de software na era da IA: o loop que não depende de quanto código você gera

Anotações da live do Lucas Santos na UNIPDS: por que a IA acelerou o código mas não a decisão, o que é erosão arquitetural e o loop observar, detectar, decidir, registrar, garantir e aprender.

Hoje assisti à live "Guia de sobrevivência do arquiteto de software na era da IA", com o Lucas Santos, Staff Engineer na Detectify, pela pós de Engenharia com IA aplicada da UNIPDS. Estas são as minhas anotações, organizadas para eu consultar depois.

O que é o arquiteto

Arquitetura é definir, de forma ampla, como o sistema funciona, com quem ele conversa e como reage ao que acontece em volta. Cada empresa dá um nome diferente para quem faz isso. O Lucas, por exemplo, é staff engineer, um papel mais técnico.

A analogia que ele usou foi a da pirâmide: milhares de pessoas construíram, mas alguém decidiu a forma. Essa pessoa é o arquiteto. Ela junta o que a equipe faz em paralelo e mantém a visão geral.

Ele desenhou a escada assim:

NívelO que recebe
Júniortarefas prontas
Plenodecisões prontas
Sêniordecisões em aberto
Arquitetoa ideia

Quanto mais alto, mais longe do código.

Antes e depois da IA

Antes, analisar um sistema grande era lento, quase nada tinha documentação e a IA servia para resumir e enxugar contexto. Para escrever código e decidir, ela era fraca. Decidir era lento e codar também.

Hoje a IA escreve código rápido, lê o código-fonte sem precisar de documentação e os agentes deixam barato organizar contexto. Só que a velocidade de decisão não mudou. E código nunca foi o gargalo.

Um número da live: num estudo de 2025 (METR), devs experientes usando IA achavam que estavam 20% mais rápidos. Medidos, estavam 19% mais lentos. Sentir-se produtivo é diferente de ser produtivo.

A IA funciona como amplificador. Quem sabe usar tira mais resultado bom. Quem não sabe tira mais resultado ruim, e mais rápido.

A frase que ficou: engenheiros não existem para escrever código. Existem para resolver problemas.

Erosão arquitetural

Para validar um MVP, alguém cria um atalho, tipo ler direto do banco de outro serviço. O atalho funciona, ninguém volta para fazer o certo, e ele vira o caminho oficial. Com IA isso acontece mais rápido, porque o agente copia o padrão que encontra no código.

O antídoto que ele mostrou tem três partes:

  • Decisões registradas: ADRs versionados no git, que a IA lê antes de mexer no código.
  • Iteração constante: o resultado certo vem de várias voltas, não de um prompt.
  • Guardrails: testes, lint e regras de arquitetura que dizem o que a IA pode ou não fazer.

O loop do arquiteto

É o processo que o Lucas roda todo dia:

  1. Observar: o que está acontecendo na empresa. No remoto, isso é ler os canais do Slack e os e-mails. Ex.: o gasto com infraestrutura subiu.
  2. Detectar: separar o que realmente afeta o sistema.
  3. Decidir: a IA sugeriu um cliente único de LLM numa camada comum. Antes de aceitar: quanto custa migrar três times? Cabe no prazo? Qual time vai primeiro?
  4. Registrar: num lugar que o código e o agente enxergam. Ex.: RFC-013, "todo acesso a LLM passa pela camada comum", com o ADR de cada time apontando para ela.
  5. Garantir: AGENTS.md e CI. O build falha se alguém chamar o provider direto.
  6. Aprender: o provider caiu e o retry derrubou todos os produtos. Volta para o passo 1.

Cada volta gera informação nova, e tudo vai para o registro. Se o loop nunca dá erro, desconfie: o problema só ainda não apareceu.

A IA acabou com o arquiteto?

Não. Antes a gente tinha um lago de informação. Agora é um oceano. Quem reduz esse oceano até sobrar a decisão certa são as perguntas, e fazer as perguntas certas continua sendo trabalho do arquiteto.

Pela lista do Lucas, um bom arquiteto tem curiosidade, aceita o desconhecido, sabe diferenciar um sistema bom de um ruim, não para de aprender e se comunica bem.

Um erro real

Na pergunta do público, ele contou o maior erro dele: numa startup de energia com sistemas em vários países, criou uma autenticação distribuída. A geração do certificado demorava mais que a request até o banco, e o login falhava.

O que vou aplicar

  • Registrar decisões em ADR dentro do repositório e apontar para elas no AGENTS.md e no CLAUDE.md, para o agente ler antes de propor mudança.
  • Transformar regra de arquitetura em teste ou lint que quebra o build. Regra que só existe no prompt, a IA esquece.
  • Anotar todo atalho de MVP como dívida, com data para voltar nele.